Proposta original da Game Engine do Blender


#1

Oi Pessoal!

Remexendo minha biblioteca achei este tesourinho antigo: A proposta original de edição lógica para o Blender 3D, documento que possibilitou a criação da Game Engine do Blender.

Me lembro que quando fiz aquela apresentação sobre a máquina de estados para o grupo, surgiu uma discussão interessante tentando entender o paradigma por trás da Game Engine do Blender.

Este assunto me faz lembrar de outras questões interessantes como por exemplo a fala de um grande cientista holandês sobre determinadas linguagens de programação surgidas quando das primeiras tentativas de se popularizar o uso das mesmas, e o quanto estas linguagens podiam ser nocivas para o aprendizado humano em geral.

Também sei o quanto o Vinícius aprecia o valor do GDD (game design document), creio que este não deixa de ser um bom exemplo de GDD num certo sentido.

Por outro lado me lembro do Wil citando a questão de aprendizado de programação e como este aprendizado reorganiza o nosso cérebro / “rewire” e que esta re organização não é necessáriamente boa e que se não me engano existe esta vertente presente em alguns professores do IME. Seria muito legal se o próprio Wil pudesse desenvolver aqui, já que esta citação é apenas um esboço :wink:

Grande abraço a todos,

ChicO

logic_editing_proposal (.PDF, google drive)


#2

A tese de que o uso do computador (e não só o ato de programar) pode “mudar prejudicialmente nossa forma de pensar” está bem resumida nesse parágrado do prof. Setzer:

Insistindo: compreendendo-se a essência de um computador, isto é, ser uma máquina abstrata e forçar um pensamento lógico-simbólico no usuário ou programador, pode-se entender a origem de todas as MiCos [Misérias da Computação]. Mais um exemplo: se alguém faz musculação 8 horas por dia todos os dias úteis da semana, fica com um corpo de gorila (e provavelmente mentalidade também...). E se for forçado a pensar algoritmicamente, lógico-simbolicamente durante 8 horas por dia, como é o caso de um programador ou infeliz usuário constante de um computador? Aposto que não vai ficar com músculos no cérebro, mas também aposto que isso não passará em brancas nuvens. Afinal, o ser humano incorpora todas as suas vivências (daí a violência na TV induzir atitudes agressivas, como já foi suficientemente provado). O resultado são alguns dos sintomas da SPD descritos no 1° parágrafo. Assim, por exemplo, anti-sociabilidade pode ser compreendida pelo fato de o computador ser uma máquina determinista, isto é, totalmente previsível (quando funciona direito), e as pessoas não. Conjeturo que uma outra conseqüência, que noto em mim mesmo, é rigidez de pensamento, por exemplo compreendendo-se somente o que é formulado com coerência lógica.

Obviamente, tem várias coisas fora de contexto aí. Para quem tiver interesse de conhecer essa opinião bastante diferente (o que no mínimo pode enriquecer nosso senso crítico), recomendo ler o artigo de onde tirei o trecho e também esse outro aqui onde ele fala de como “tratar o pensamento computacional”. Se quiserem mais ainda, é só ir para a página oficial do Setzer.

Sobre o documento da proposta do Blender, tentarei arranjar um tempo para ler =)


#3

Wil, muito obrigado pelos links, era isso mesmo! Que bom que você lembrou do assunto :slight_smile: